Contos doTio-Avô
Saulo Piva Romero
Textos

ERA UMA VEZ UMA CASA AMARELA NO ALTO DE UMA COLINA. PEQUENA, ACONCHEGANTE E CERCADA POR UM JARDIM FLORIDO, ESSA CASA PERTENCIA A UMA MENINA CHAMADA PAOLA E SUA AVÓ, DONA LÚCIA. PAOLA ADORAVA EXPLORAR CADA CANTINHO DA CASA E INVENTAR HISTÓRIAS SOBRE OS PEQUENOS SERES QUE ENCONTRAVA PELO CAMINHO.

CERTO DIA, ENQUANTO BRINCAVA NA VARANDA, PAOLA VIU ALGO SE MEXER RAPIDAMENTE PELO MURO. APROXIMOU-SE COM CUIDADO E ENCONTROU UMA LAGARTIXA VERDE, DE OLHINHOS BRILHANTES E UMA CAUDA LONGA QUE PARECIA TER VIDA PRÓPRIA.

— OLÁ, DONA LAGARTIXA! — DISSE PAOLA, ANIMADA. — VOCÊ MORA AQUI NA CASA AMARELA?

A LAGARTIXA INCLINOU A CABEÇA, COMO SE ENTENDESSE A PERGUNTA, E CORREU PELO MURO ATÉ DESAPARECER ATRÁS DE UM VASO DE FLORES.

PAOLA CORREU PARA DENTRO DA CASA E CONTOU À AVÓ SOBRE SEU NOVO “BICHO DE ESTIMAÇÃO”. DONA LÚCIA SORRIU E EXPLICOU:

— LAGARTIXAS SÃO ÓTIMAS MORADORAS, MINHA QUERIDA. ELAS COMEM MOSQUITOS E AJUDAM A MANTER A CASA LIVRE DE INSETOS.

A PARTIR DAQUELE DIA, PAOLA COMEÇOU A PRESTAR MAIS ATENÇÃO NA PEQUENA MORADORA. DEU-LHE O NOME DE LILI E SEMPRE QUE A ENCONTRAVA, CONTAVA HISTÓRIAS SOBRE SUAS AVENTURAS NA ESCOLA, SUAS BRINCADEIRAS E ATÉ SEUS SONHOS.

UMA NOITE, ENQUANTO LIA UM LIVRO NA CAMA, PAOLA OUVIU UM BARULHO VINDO DA COZINHA. PEGOU SUA LANTERNA E FOI INVESTIGAR. AO CHEGAR LÁ, VIU QUE A JANELA ESTAVA ENTREABERTA E UMA RAJADA DE VENTO FAZIA A CORTINA BALANÇAR. NO CHÃO, UM VIDRO DE GELEIA HAVIA CAÍDO E SE ESPATIFADO.

DE REPENTE, UM SOM BAIXINHO CHAMOU SUA ATENÇÃO. ERA LILI, A LAGARTIXA, QUE SE ESCONDIA PERTO DO ARMÁRIO, PARECENDO NERVOSA.

— O QUE FOI, LILI? VOCÊ VIU ALGUMA COISA? — SUSSURROU PAOLA.

ELA OLHOU AO REDOR E NOTOU PEGADAS PEQUENAS PERTO DA JANELA. ALGO HAVIA ENTRADO NA CASA! COM O CORAÇÃO ACELERADO, PAOLA SEGUIU AS PEGADAS, QUE A LEVARAM ATÉ A DESPENSA.

COM UM MOVIMENTO RÁPIDO, ABRIU A PORTA E ENCONTROU... UM OURIÇO! O BICHINHO, ASSUSTADO, ENCOLHEU-SE, TENTANDO SE ESCONDER ENTRE OS POTES DE FARINHA.

— OH! VOCÊ TAMBÉM É UM VISITANTE DA CASA AMARELA? — PERGUNTOU PAOLA, ENCANTADA.

DONA LÚCIA, ACORDADA PELO BARULHO, APARECEU NA COZINHA E SORRIU AO VER A CENA.

— PARECE QUE TEMOS UM NOVO HÓSPEDE — DISSE ELA. — MAS ACHO QUE ELE PREFERE MORAR NO JARDIM.

COM MUITO CUIDADO, ELAS PEGARAM O OURIÇO E O LEVARAM ATÉ UM CANTINHO SEGURO NO JARDIM, ONDE ELE PODERIA FICAR CONFORTÁVEL.

NAQUELA NOITE, ENQUANTO VOLTAVA PARA A CAMA, PAOLA OLHOU PARA A PAREDE E VIU LILI OBSERVANDO-A, COMO SE DISSESSE: “MISSÃO CUMPRIDA!”.

DESDE ENTÃO, PAOLA NUNCA MAIS DUVIDOU: AQUELA NÃO ERA APENAS UMA CASA AMARELA QUALQUER. ERA UMA CASA CHEIA DE HISTÓRIAS, DE PEQUENOS AMIGOS E, ACIMA DE TUDO, DE AVENTURAS INESQUECÍVEIS.

 

Saulo Piva Romero
Enviado por Saulo Piva Romero em 02/04/2025
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