ERA UMA VEZ UMA CASA AMARELA NO ALTO DE UMA COLINA. PEQUENA, ACONCHEGANTE E CERCADA POR UM JARDIM FLORIDO, ESSA CASA PERTENCIA A UMA MENINA CHAMADA PAOLA E SUA AVÓ, DONA LÚCIA. PAOLA ADORAVA EXPLORAR CADA CANTINHO DA CASA E INVENTAR HISTÓRIAS SOBRE OS PEQUENOS SERES QUE ENCONTRAVA PELO CAMINHO.
CERTO DIA, ENQUANTO BRINCAVA NA VARANDA, PAOLA VIU ALGO SE MEXER RAPIDAMENTE PELO MURO. APROXIMOU-SE COM CUIDADO E ENCONTROU UMA LAGARTIXA VERDE, DE OLHINHOS BRILHANTES E UMA CAUDA LONGA QUE PARECIA TER VIDA PRÓPRIA.
— OLÁ, DONA LAGARTIXA! — DISSE PAOLA, ANIMADA. — VOCÊ MORA AQUI NA CASA AMARELA?
A LAGARTIXA INCLINOU A CABEÇA, COMO SE ENTENDESSE A PERGUNTA, E CORREU PELO MURO ATÉ DESAPARECER ATRÁS DE UM VASO DE FLORES.
PAOLA CORREU PARA DENTRO DA CASA E CONTOU À AVÓ SOBRE SEU NOVO “BICHO DE ESTIMAÇÃO”. DONA LÚCIA SORRIU E EXPLICOU:
— LAGARTIXAS SÃO ÓTIMAS MORADORAS, MINHA QUERIDA. ELAS COMEM MOSQUITOS E AJUDAM A MANTER A CASA LIVRE DE INSETOS.
A PARTIR DAQUELE DIA, PAOLA COMEÇOU A PRESTAR MAIS ATENÇÃO NA PEQUENA MORADORA. DEU-LHE O NOME DE LILI E SEMPRE QUE A ENCONTRAVA, CONTAVA HISTÓRIAS SOBRE SUAS AVENTURAS NA ESCOLA, SUAS BRINCADEIRAS E ATÉ SEUS SONHOS.
UMA NOITE, ENQUANTO LIA UM LIVRO NA CAMA, PAOLA OUVIU UM BARULHO VINDO DA COZINHA. PEGOU SUA LANTERNA E FOI INVESTIGAR. AO CHEGAR LÁ, VIU QUE A JANELA ESTAVA ENTREABERTA E UMA RAJADA DE VENTO FAZIA A CORTINA BALANÇAR. NO CHÃO, UM VIDRO DE GELEIA HAVIA CAÍDO E SE ESPATIFADO.
DE REPENTE, UM SOM BAIXINHO CHAMOU SUA ATENÇÃO. ERA LILI, A LAGARTIXA, QUE SE ESCONDIA PERTO DO ARMÁRIO, PARECENDO NERVOSA.
— O QUE FOI, LILI? VOCÊ VIU ALGUMA COISA? — SUSSURROU PAOLA.
ELA OLHOU AO REDOR E NOTOU PEGADAS PEQUENAS PERTO DA JANELA. ALGO HAVIA ENTRADO NA CASA! COM O CORAÇÃO ACELERADO, PAOLA SEGUIU AS PEGADAS, QUE A LEVARAM ATÉ A DESPENSA.
COM UM MOVIMENTO RÁPIDO, ABRIU A PORTA E ENCONTROU... UM OURIÇO! O BICHINHO, ASSUSTADO, ENCOLHEU-SE, TENTANDO SE ESCONDER ENTRE OS POTES DE FARINHA.
— OH! VOCÊ TAMBÉM É UM VISITANTE DA CASA AMARELA? — PERGUNTOU PAOLA, ENCANTADA.
DONA LÚCIA, ACORDADA PELO BARULHO, APARECEU NA COZINHA E SORRIU AO VER A CENA.
— PARECE QUE TEMOS UM NOVO HÓSPEDE — DISSE ELA. — MAS ACHO QUE ELE PREFERE MORAR NO JARDIM.
COM MUITO CUIDADO, ELAS PEGARAM O OURIÇO E O LEVARAM ATÉ UM CANTINHO SEGURO NO JARDIM, ONDE ELE PODERIA FICAR CONFORTÁVEL.
NAQUELA NOITE, ENQUANTO VOLTAVA PARA A CAMA, PAOLA OLHOU PARA A PAREDE E VIU LILI OBSERVANDO-A, COMO SE DISSESSE: “MISSÃO CUMPRIDA!”.
DESDE ENTÃO, PAOLA NUNCA MAIS DUVIDOU: AQUELA NÃO ERA APENAS UMA CASA AMARELA QUALQUER. ERA UMA CASA CHEIA DE HISTÓRIAS, DE PEQUENOS AMIGOS E, ACIMA DE TUDO, DE AVENTURAS INESQUECÍVEIS.