Contos doTio-Avô
Saulo Piva Romero
Textos

NO PEQUENO VILAREJO DE PEDRA VERDE, HAVIA UMA HORTA DIFERENTE DE TODAS AS OUTRAS. NO MEIO DAS HORTALIÇAS E DOS CANTEIROS BEM CUIDADOS, CRESCIAM TOMATES DE UM VERMELHO TÃO BRILHANTE QUE PARECIAM PEQUENAS LANTERNAS ACESAS. DIZIAM OS MAIS VELHOS QUE AQUELA HORTA ESCONDIA UM SEGREDO ANTIGO, MAS POUCOS SE ATREVIAM A FALAR SOBRE ELE.

LUCAS, UM MENINO CURIOSO DE DEZ ANOS, ADORAVA EXPLORAR CADA CANTO DO VILAREJO. UM DIA, ENQUANTO PASSEAVA PELA FEIRA, OUVIU DUAS SENHORAS COCHICHANDO SOBRE A HORTA DA DONA CLARICE.

— VOCÊ JÁ VIU AQUELES TOMATES? SÃO TÃO PERFEITOS QUE É ATÉ ESTRANHO… — MURMUROU UMA DELAS.

— DIZEM QUE A HORTA DELA É PROTEGIDA POR UMA COBRA! — RESPONDEU A OUTRA.

LUCAS ARREGALOU OS OLHOS. UMA COBRA? ELE PRECISAVA VER ISSO COM OS PRÓPRIOS OLHOS!

O ENCONTRO MISTERIOSO

NAQUELA MESMA TARDE, LUCAS SEGUIU ATÉ A CERCA DA HORTA. ESCONDEU-SE ATRÁS DE UM ARBUSTO E FICOU OBSERVANDO. DONA CLARICE, UMA SENHORA DE CABELOS BRANCOS E AVENTAL FLORIDO, REGAVA AS PLANTAS COM CUIDADO. OS TOMATES RELUZIAM AO SOL. MAS… E A COBRA?

DE REPENTE, ELE OUVIU UM FARFALHAR ENTRE AS FOLHAS. ALGO LONGO E ESVERDEADO SE MOVIA DEVAGAR PELO SOLO. LUCAS SENTIU UM FRIO NA ESPINHA. ERA UMA COBRA ENORME! MAS, PARA SUA SURPRESA, DONA CLARICE NEM SE ASSUSTOU. PELO CONTRÁRIO, ELA SORRIU E ESTENDEU A MÃO.

— BOA TARDE, JADE! — DISSE ELA COM CARINHO.

A COBRA ERGUEU A CABEÇA E PARECEU ASSENTIR. LUCAS NÃO ACREDITAVA NO QUE VIA. COMO A SENHORA NÃO TINHA MEDO?

O SEGREDO REVELADO

NAQUELA NOITE, LUCAS MAL CONSEGUIU DORMIR. NO DIA SEGUINTE, TOMOU CORAGEM E FOI ATÉ DONA CLARICE.

— POSSO VER SUA HORTA DE PERTO? — PERGUNTOU, TENTANDO DISFARÇAR A ANSIEDADE.

A SENHORA SORRIU E ABRIU O PORTÃO.

— VENHA, MEU JOVEM. MAS PROMETA QUE RESPEITARÁ CADA PLANTINHA E CADA CRIATURA DAQUI.

LUCAS ASSENTIU E ENTROU. O CHEIRO DAS ERVAS E DO SOLO ÚMIDO ENCHIA O AR. ENTÃO, ELE VIU JADE NOVAMENTE. A COBRA DESLIZAVA ENTRE OS CANTEIROS SEM MEDO, COMO SE FOSSE PARTE DA HORTA.

— ELA NÃO MACHUCA NINGUÉM? — PERGUNTOU O MENINO.

— NÃO, MEU QUERIDO. JADE PROTEGE A HORTA. FOI UM PRESENTE DO MEU AVÔ, QUE ME ENSINOU O SEGREDO DA TERRA FÉRTIL.

— UM SEGREDO? — OS OLHOS DE LUCAS BRILHARAM.

DONA CLARICE PEGOU UM TOMATE E PARTIU AO MEIO, REVELANDO SEMENTES DOURADAS.

— ESTES TOMATES SÃO ESPECIAIS. AS SEMENTES VÊM DE UMA PLANTA MUITO ANTIGA. JADE CUIDA DA TERRA PARA QUE ELAS CONTINUEM CRESCENDO SAUDÁVEIS.

LUCAS FICOU FASCINADO. NÃO ERA UMA HORTA COMUM. ERA UM LUGAR MÁGICO, ONDE A NATUREZA E OS ANIMAIS VIVIAM EM PERFEITA HARMONIA.

O DESAFIO NA HORTA

CERTO DIA, ENQUANTO AJUDAVA DONA CLARICE A REGAR AS PLANTAS, LUCAS PERCEBEU PEGADAS ESTRANHAS NO SOLO. PARECIAM MARCAS DE BOTAS GRANDES E PESADAS.

— DONA CLARICE, ALGUÉM ESTEVE AQUI — ALERTOU ELE.

A SENHORA FRANZIU A TESTA E OLHOU AO REDOR. AS PEGADAS LEVAVAM ATÉ OS TOMATES, E ALGUNS FRUTOS ESTAVAM AMASSADOS NO CHÃO.

NAQUELA NOITE, LUCAS DECIDIU VIGIAR A HORTA. ESCONDEU-SE ATRÁS DO BARRIL DE ÁGUA E ESPEROU. O VENTO SOPRAVA SUAVE E JADE ESTAVA ENROLADA PERTO DO PORTÃO, IMÓVEL.

HORAS DEPOIS, UM VULTO SE APROXIMOU SORRATEIRAMENTE. ERA UM HOMEM ENCAPUZADO! ELE CARREGAVA UM SACO E SE MOVIA RAPIDAMENTE ENTRE OS CANTEIROS, COLHENDO TOMATES ÀS PRESSAS.

LUCAS SENTIU O CORAÇÃO ACELERAR. ELE PRECISAVA AGIR! PEGOU UM PUNHADO DE TERRA E JOGOU EM JADE, QUE ACORDOU E ERGUEU A CABEÇA. A COBRA DESLIZOU SILENCIOSA ATÉ O INVASOR.

— AHHH! — GRITOU O HOMEM, LARGANDO O SACO E TROPEÇANDO AO TENTAR FUGIR.

DONA CLARICE E LUCAS CORRERAM PARA VER QUEM ERA. A LUZ DA LUA ILUMINOU O ROSTO DO INVASOR: ERA TONICO, UM DOS COMERCIANTES DA FEIRA!

— POR QUE ESTÁ ROUBANDO MEUS TOMATES, TONICO? — PERGUNTOU DONA CLARICE COM FIRMEZA.

O HOMEM ABAIXOU A CABEÇA ENVERGONHADO.

— EU QUERIA VENDER ESSES TOMATES NA FEIRA… ELES SÃO OS MAIS BONITOS DA REGIÃO. ACHEI QUE NINGUÉM NOTARIA SE EU PEGASSE ALGUNS.

DONA CLARICE SUSPIROU E OLHOU PARA LUCAS, QUE AINDA ESTAVA COM O CORAÇÃO ACELERADO.

— SE VOCÊ TIVESSE PEDIDO, EU PODERIA TER LHE DADO ALGUMAS SEMENTES PARA PLANTAR SUAS PRÓPRIAS MUDAS. MAS ROUBAR NUNCA É A RESPOSTA.

TONICO PROMETEU NUNCA MAIS REPETIR O ERRO. COMO PUNIÇÃO, DONA CLARICE PEDIU QUE ELE AJUDASSE LUCAS A CUIDAR DA HORTA POR ALGUMAS SEMANAS.

E ASSIM, A HORTA ENCANTADA CONTINUOU SENDO UM LUGAR DE APRENDIZADO E RESPEITO. LUCAS PERCEBEU QUE CADA SER TINHA SEU PAPEL ALI, ATÉ MESMO AQUELES QUE COMETIAM ERROS, POIS SEMPRE HAVIA UMA CHANCE DE MUDAR.

 

Saulo Piva Romero
Enviado por Saulo Piva Romero em 31/03/2025
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